Autores
Silva, A.M. (UECE) ; Silva, A.M. (UECE)
Resumo
No presente trabalho, buscou-se investigar as concepções de avaliação da aprendizagem dos professores de Química do ensino médio de escolas públicas do município de Cascavel (CE). A coleta de dados consistiu na utilização de questionários semiestruturado, aplicados individualmente com quatro professores de Química da rede Estadual no município de Cascavel-CE, e 40 alunos dos três anos do ensino médio, sendo realizada no primeiro semestre de 2018. A análise dos dados permitiu propor algumas considerações a respeito das percepções que esses professores e alunos apresentam sobre o processo avaliativo como um todo, além dos métodos comumente utilizados por eles.
Palavras chaves
Avaliação; Ensino de Química; Ensino Médio
Introdução
A avaliação desempenha papéis diversos na escola, é um processo de acompanhamento do ensino e da aprendizagem, atuando como um elo entre esses processos, ou seja, é um instrumento pedagógico de mediação da relação entre ensino e aprendizagem, entre professor e aluno. Nessa proposta de avaliação, o professor deixa de ser um mero verificador de conteúdos e passa a ser um mediador no processo de aprendizagem, sensível às especificidades dos alunos e ao tempo de aprender de cada um. Ao avaliar, como uma ação mediadora e formativa, o professor torna-se um agente reflexivo, pois acompanha o desempenho do aluno e analisa o seu próprio trabalho (HOFFMANN, 2005). Constata-se na maioria das escolas, que os alunos têm receio das avaliações, pôr na maioria das vezes assumir um papel quantitativo e classificatório. Luckesi (2010), afirma que a avaliação deve ser vista como um ato amoroso, uma vez que sua intenção não deve ser medir o conhecimento adquirido pelo aluno durante um determinado intervalo de tempo, mas, a partir de acompanhamento contínuo, fazer um diagnóstico da evolução do aluno. Esse diagnóstico deve objetivar uma tomada de decisão, a fim de contribuir para melhorar o processo de desenvolvimento e aprendizagem do educando. De 1930, teóricos como Ralph Tyler, até os dias atuais, são inúmeros os estudos sobre avaliação da aprendizagem. Assim, o tema vem se difundindo e ganhando considerável espaço na literatura da área educacional, daí sua relevância. Teóricos como Both (2005), Hoffmann (2005), Luckesi (2010), dentre outros, têm procurado discutir o tema, e como resultado, apresentam as várias concepções que existem sobre a avaliação no âmbito escolar.
Material e métodos
A pesquisa é predominantemente qualitativa com o método descritivo e foi desenvolvida com 4 professores de Química que atuam no Ensino Médio de escolas públicas do município de Cascavel-CE, e 40 alunos dos três anos do ensino médio, sendo realizada no primeiro semestre de 2018. Adotou-se como critério de exclusão, professores que atuam na modalidade EJA. Decidiu-se não os inserir no estudo por entender que a avaliação nesse contexto necessitaria levar em conta as especificidades e peculiaridades dos alunos que frequentam essas modalidades de ensino. Para a coleta de dados utilizou-se de dois questionários semiestruturados, um destinados aos professores com perguntas abertas referentes à avaliação, e outro destinados aos alunos, contendo perguntas abertas e fechadas, referente à atuação do professor quanto a avaliação. Para análise dos dados, ao questionário aplicado aos professores, utilizou-se a Análise Textual Discursiva. Assim, inicialmente, as entrevistas foram minuciosamente examinadas e, posteriormente, fragmentadas em unidades de análise. Após isso, foram estabelecidas relações entre as unidades de base, combinando-as e classificando- as de modo a formar conjuntos mais complexos (categorização). Por fim, na etapa de comunicação, que é a elaboração de um texto que busca a compreensão do todo, realizou-se a interlocução dos dados obtidos nas entrevistas com a pesquisa bibliográfica acerca do tema. Para a análise do questionário dos alunos, na qual se verifica o processo avaliativo dos docentes pesquisados, foi feita a tabulação dos dados numa planilha do excel, 2010, com os dados quantitativos e Análise Textual Discursiva nas perguntas abertas.
Resultado e discussão
Ao perguntar aos 40 discentes sobre a sensação ao ser avaliado (figura 1), foi
visto que 75% associaram o momento de avaliação à geração de medo, ansiedade e
nervosismo, e 25% disseram se sentir normal, tranquilo, diante de um momento de
avaliação. Sobre a importância da avaliação, todos os professores destacaram
esta como uma ótima ferramenta para o professor, pois através dela, estes podem
reforçar o conteúdo que não foi aprendido. Questionado aos professores: Você
acredita que a avaliação pode favorecer a aprendizagem dos estudantes?
Justifique? Um professor (P1) destaca que a avaliação auxilia o processo de
aprendizagem, a partir do momento em que acontece a reflexão do ato avaliativo.
Foi observado pelos alunos (figura 2), que 77,5% são avaliados por prova
escrita, 57,5% atividades escritas, 32,5% seminários ou atividades orais, 52,5
relatórios, 15% caderno de campo e 5% citaram outras formas de avaliação.
Conforme os discentes avaliados (figura 3), foi notado que 50% das avaliações
escritas são predominantemente conceituais e algumas questões contextualizadas,
30% somente contextualizada, 25% predominantemente contextualizadas e algumas
questões conceituais e 10% somente questões conceituais. Você considera que a
sua prática avaliativa, avalia efetivamente a aprendizagem dos estudantes? Dois
professores (P1 e P4) reconhecem que a sua prática avaliativa não permite saber
se realmente ocorreu a aprendizagem dos alunos. Os discentes (figura 4)
atribuíram as notas baixas devido à falta de interesse e dedicação (62,5%),
dificuldade na compreensão (27,5%), falta de afinidade (5%) e a não relevância
da disciplina (12,5%).
Conclusões
Com bases nos resultados obtidos da presente pesquisa, percebe-se que a maioria dos pesquisados caracteriza a avaliação como um instrumento para medir e/ou verificar a aprendizagem. Os professores e discentes relataram que ocorrem a utilização de metodologias avaliativas diversas, beneficiando o desenvolvimento de outras habilidades, além da escrita e do raciocínio. Acredita-se que o presente estudo servirá de suporte para futuras pesquisas relacionadas à avaliação da aprendizagem.
Agradecimentos
1) Coordenação do Curso de Licenciatura em Química EaD da UECE. 2) Escolas Públicas do município de Cascavel-CE. 3) Polo de Beberibe-CE.
Referências
BOTH, S. J. Avaliação educacional: construção do conhecimento. Mundo Jovem, Porto Alegre, n. 355, p. 8 - 9, 2005.
HOFFMANN, J. M. L. Pontos & Contra Pontos: do pensar ao agir em avaliação. 9. ed. Porto Alegre: Mediação, 2005.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 21 ed. São Paulo: Cortez, 2010.