ISBN 978-85-85905-15-6
Área
Ensino de Química
Autores
Gomes, S.S. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Figueira, K.L. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Brito, E.B. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Silva, T.G. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Rocha, M.A.G. (COLÉGIO ESTADUAL SARGENTO WOLFF) ; Lima, M.C.P. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO) ; Pinho, G.S.A. (INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO)
Resumo
Este trabalho descreve a realização de uma atividade experimental num espaço alternativo, em uma escola situada em Belford Roxo-RJ, com alunos do 2º ano do ensino médio participantes do PIBID, no 2º bimestre de 2015. Nela os alunos puderam ver na área que costuma ser associada a geografia e a biologia, aplicabilidades de conteúdos de química já trabalhados. Assim, formaram-se grupos para analisar o solo da horta e determinar o pH, indicando se ele é ideal para o cultivo e propondo uma alternativa para possíveis correções. Os alunos desenvolveram o experimento satisfatoriamente e se mostraram questionadores a respeito do que executaram. Entretanto, apresentaram fragilidades no aprendizado dos conteúdos que embasaram a prática, exigindo uma revisão concomitante com a aplicação da atividade.
Palavras chaves
Contextualização; Ensino de Química; Espaço alternativo
Introdução
Segundo Lindner (2012), o ambiente deve ser pensado como um sistema que envolve uma comunidade de pessoas interagindo com ambientes onde existem componentes vivos e não vivos. Nesse contexto, o sistema educacional deve buscar desenvolver ações e estratégias que possibilitem que os alunos compreendam o impacto que seus atos podem gerar no ambiente que os cerca. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino médio (Brasil, 2000), afirmam que os conteúdos abordados em química devem buscar estar atrelados ao cotidiano do aluno, seus interesses, suas vivências, além de permitir a interconexão entre diferentes saberes. O currículo mínimo do estado do Rio de Janeiro solicita que os conceitos trabalhados em sala de aula, como por exemplo o estudo do pH, seja abordado de forma contextualizada, mostrando a existência, aplicabilidade e importância de indicadores sintéticos e naturais fora dos ambientes científicos. Partindo desses pressupostos, o PIBID do IFRJ campus Duque de Caxias, inserido no Colégio Estadual Sargento Wolff, buscou integrar educação ambiental, contextualização e construção do pensamento científico através da realização de uma atividade experimental sobre pH desenvolvida com alunos do 2º ano na horta do colégio. Além da questão do pH, trabalhou-se a identificação das funções inorgânicas, buscando um caráter interdisciplinar com a biologia, abordando a temática relacionada à compostagem, atividade microbiana, ao solo, ao plantio de mudas e outras atividades em pequenos cultivos já trabalhadas no bimestre. “Acredita-se que a experimentação, no ensino de química, pode ser uma estratégia eficiente para propor e solucionar problemas que permeiam o cotidiano do aluno, além de instigar os alunos a desenvolver novos questionamentos. ” (GUIMARÃES, 2009)
Material e métodos
Primeiro os alunos foram reunidos em frente a horta e lá foi feita uma conversa informal para revisar os conteúdos necessários para a realização da prática. Em seguida, eles foram divididos em 6 grupos, onde cada um deles ficou com um ponto diferente da horta. Não foi distribuído nenhum roteiro com a descrição do experimento. Toda a atividade foi pautada no diálogo, e no fim, foi dada uma folha contendo algumas questões a cada grupo, onde nesta deveriam ser anotadas as dúvidas, sugestões e conclusões, além das respostas dos questionamentos propostos. Posteriormente, os alunos recolheram amostras do solo em dois copos descartáveis e a eles foi adicionada uma pequena fração de água deionizada para se verificar o pH. Na 1ª medição, adicionou-se a um dos copos o indicador natural de repolho roxo e após 30 minutos, a mistura foi filtrada e a coloração da solução resultante foi verificada e discutida. Na 2ª medição, após a filtração da mistura, usou-se o indicador sintético fita de pH, e nesse momento, discutiu-se a composição desta fita, assim como a usada nas piscinas. Após as verificações, a amostra da 2ª medição foi dividida em duas alíquotas. Na 1ª foi adicionado vinagre e na 2ª, bicarbonato de sódio. Antes da adição dos compostos as soluções, como já se conheciam os pHs das amostras, os alunos foram questionados sobre a natureza química do vinagre e do bicarbonato de sódio, e se poderia ser esperada alguma reação entre eles e as soluções. Após debater sobre o tema, os reagentes foram adicionados. Para finalizar, os grupos foram questionados sobre possíveis maneiras naturais com as quais o pH do solo poderia ser corrigido em caso de alto grau de acidez ou basicidade, assim, foi abordada a questão da compostagem, da adição de matéria orgânica e cinzas de madeira.
Resultado e discussão
Segundo Driver (1999), para que um indivíduo construa seu conhecimento
científico, num processo de enculturação, ele precisa entender e relacionar
sua visão do mundo à representação científica, caso contrário a aprendizagem
tornar-se-á difícil. Dessa forma, acredita-se que ao propiciar aos alunos
uma atividade experimental num lugar pertencente ao seu cotidiano (fora da
sala) proporcionou-se uma redescoberta daquele ambiente, associando-o agora
a presença da química, comprovando a relevância desta ciência, assim como
também a sua interconexão com outros saberes, vendo, neste caso, que química
e biologia se relacionam.
A falta de um roteiro pronto a ser seguido foi uma barreira inicial para
execução da prática, pois o indivíduo, de forma geral, está acostumado a
seguir uma sequência pronta. É muito frequente que atividades experimentais
sejam norteadas por roteiros prontos, como se seguissem uma receita, numa
sequência linear, na qual o autor do procedimento determina o que e como
fazer. Mas, nesse tipo de atividade, dificilmente há lugar para raciocínio e
questionamentos, a automatização induz a uma percepção empobrecida da
atividade científica. Porém, com o decorrer da atividade, os grupos se
sentiriam mais confortáveis e pertencentes ao processo, construtores do seu
conhecimento, desenvolvendo habilidades de investigar, manipular e
comunicar. (FERREIRA, 2010)
Conclusões
Viu-se que os alunos se mostram muito abertos a trabalhar o conhecimento em um local não convencional, vendo por eles mesmos que a química está presente até mesmo naquilo que acreditam não ser correlato a ela. Na visão deles, essa é uma ciência que envolve explosão de coisas e não poderia estar associada a uma planta, influenciando no seu crescimento ou na sua vitalidade. Ao realizar a atividade os alunos puderam perceber a importância de estudar um conteúdo para entender melhor sua prática. Dessa forma, ele se apropria do objeto de estudo e se torna agente da construção do seu conhecimento.
Agradecimentos
Ao PIBID/CAPES Ao IFRJ Às coordenadoras Maria C. P. Lima, e Gabriela S. A. Pinho E ao supervisor Marcus A.G. Rocha
Referências
Brasil, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Media e Tecnológica – Semtec. Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino médio. Brasília: MEC/Semtec, 2000.
DRIVER, Rosalind, ASOKO, Hilary, LEACH, John, MORTIMER, Eduardo, SCOTT, Philip. Construindo conhecimento científico na sala de aula. Química Nova na Escola. n.9, 1999.
FERREIRA, Luiz H., HARTWIG, Dácio R., OLIVEIRA, Ricardo C. de. Ensino experimental de química: uma abordagem investigativa contextualizada. Química Nova na Escola. v.32, n.2, 2010.
GUIMARÃES, Cleidson C. Experimentação no Ensino de Química: Caminhos e Descaminhos Rumo à Aprendizagem Significativa. Quimica Nova na Escola v.31, n.3, 2009
LINDNER, Edson L. Refletindo sobre o Ambiente. In: Educação Ambiental: da teoria à prática. Porto Alegre: Mediação, 2012. p. 13 – 19