Realizado no Rio de Janeiro/RJ, de 14 a 18 de Outubro de 2013.
ISBN: 978-85-85905-06-4
ÁREA: Ensino de Química
TÍTULO: EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DE QUÍMICA: ENTENDENDO OS PROCESSOS DE TRATAMENTO DE ÁGUAS
AUTORES: Mandu, T.S. (IFRO) ; Lopes, D.S. (IFRO) ; Aliente, J.R.S. (IFRO) ; Lopes, C.B. (IFRO) ; Cunha, E.M.F. (IFRO) ; Silva, A.A. (IFRO)
RESUMO: Este trabalho vem propor atividades para o ensino de química contextualizado,
abordando a temática “Tratamento de Águas” e seus processos, realizados com alunos
de uma escola estadual da cidade de Ji-Paraná/RO, uma palestra, práticas
experimentais e visita técnica à CAERD - Estação de Tratamento de Águas local. A
palestra foi ministrada provocando discussões e a prática experimental,
apresentando uma das etapas do tratamento de águas, antes da realização da visita
técnica, que contribuiu efetivamente com o desenvolvimento da atividade,
permitindo ao aluno uma maior interação com o tema abordado em discussões,
questionamentos e debates.
PALAVRAS CHAVES: Ensino de química; Contextualização; Educação ambiental
INTRODUÇÃO: O fornecimento de água em boa quantidade e qualidade são fatores essenciais para
a manutenção de uma vida saudável em comunidade. Para tanto, a água destinada ao
consumo humano, deve preencher fatores mínimos que a coloquem em condições de
ser ingerida ou utilizada para fins higiênicos, necessitando assim de
tratamentos adequados antes de ser utilizada (SANCHES, et al, 2003). Estes
tratamentos devem livrá-la de microorganismos causadores de doenças, sedimentos
em suspensão, e permitir também que tenha seu gosto e aspecto próprios para o
consumo (MAIA, et al, 2003).
A aplicação de projetos pedagógicos no ensino, sobretudo no ensino de
química, vem romper com as formas tradicionais de organização curricular e
oferecem uma alternativa às metodologias de ensino e aprendizagem. O
desenvolvimento de projetos possibilitam um maior diálogo entre professor e
aluno, abrem mais espaço no planejamento de aula, permitindo que o aluno
construa sua autonomia, sendo, de fato, um sujeito ativo da sua aprendizagem
(SILVA, et al, 2008).
A fim de proporcionar uma didática diferenciada da metodologia tradicional de
ensino; desenvolveu-se em uma escola da rede estadual de ensino da cidade de Ji-
Paraná/RO, uma contextualização de duração de 4horas/aula, abordando o tema
“Tratamento de águas”, desenvolvida juntamente com 28 alunos de uma turma do
segundo ano do ensino médio. A aula foi dividida em três partes: uma introdução
teórica acerca do tema; procedimento experimental, a fim de exemplificar um dos
primeiros e principais processos do tratamento de águas e visita técnica a uma
Estação de Tratamento de Águas (ETA) local.
A ação teve o intuito de trabalhar o tema abordando o Dia Internacional da Água,
contextualizando e contribuindo para a formação crítico-social do educando.
MATERIAL E MÉTODOS: Com o objetivo de trabalhar a educação ambiental em conjunto com o ensino de
química e o contexto social em que se insere, desenvolveu-se uma
contextualização de ensino com alunos de uma turma do segundo ano do ensino
médio da E. E. E. F. M. Aluízio Ferreira, situada em Ji-Paraná/dRO.
A ação teve duração de 4h/aula e ocorreu em dois dias, havendo três momentos de
trabalhos. Primeiramente, aplicou-se uma palestra introdutória ao tema,
abordando a importância da realização de tratamento de águas, bem como os
processos pelo qual a água passa em uma ETA, esclarecendo dúvidas e promovendo
discussões a fim de despertar o senso crítico. Após a palestra, os alunos se
dirigiram ao laboratório da escola, onde realizaram uma prática do processo de
clarificação (ou floculação) da água. Uma simulação de um dos primeiros e
principais processos em que a água é submetida ao chegar a uma estação de
tratamento. Abordou-se alguns métodos de separação de mistura e reações
químicas, a fim de relacionar a prática ao conteúdo de química estudado. Também
abordou-se o conceito de pH, já estudado pelos alunos, testado nas águas
coletadas de dois bebedouros da escola, com o auxílio de um phmetro didático. O
terceiro momento foi a realização de uma visita técnica com estes alunos a uma
ETA local; a CAERD – Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia.
Aplicou-se questionários com questões abertas aos alunos, antes e depois da
realização da ação, a fim de analisar os conhecimentos prévios dos alunos, bem
como os resultados alcançados com a realização desta ação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Cerca de 90% dos alunos não conheciam ou nunca haviam visitado alguma ETA, mesmo
havendo no município, a CAERD (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia);
estação de tratamento responsável pela distribuição de águas local. O que indica
certo descompromisso com o social, por parte dos alunos; e, provavelmente, falta
da abordagem temática em sala de aula.
Após o desenvolvimento da ação, pediu-se um breve resumo acerca do tema abordado
na palestra e visita técnica realizada. De um modo geral, os resumos
apresentaram ideias semelhantes; relatando a importância da realização do
tratamento de águas para o consumo humano e um dos principais processos de
tratamento de águas: a floculação.
“um assunto muito importante, ‘é quando faz a limpeza da água’. A água vai para
um tanque onde é colocado Sulfato de Alumínio e ele reage com a matéria orgânica
formando flocos e vai para o fundo. A sujeira que fica no fundo é descartada
para os lagos [...] (ALUNO)”.
“[...] são várias as etapas até a água chegar em nossa casa. Uma das coisas mais
interessantes foi a adição de sulfato de alumínio que separa água da sujeira
[...] (ALUNO)”.
O fato de muitos resumos descreverem o processo de floculação, realizado nas
ETA’s provavelmente se relaciona à realização da prática experimental, onde
observaram as etapas deste processo, facilitando o entendimento do tema
abordado.
A realização da palestra introdutória provocando debates, bem como a prática
experimental realizada antes da visita técnica, contribuiu efetivamente com o
desenvolvimento da atividade, pois os alunos interagiram e entenderam
os processos antes de visualizá-los, o que proporcionou um melhor debate e maior
questionamento demonstrando interesse, por parte dos alunos, em entender os
processos abordados.
CONCLUSÕES: A promoção de atividades complementares, trabalhando temas locais relacionados a
conteúdos de sala de aula contribui efetivamente com a formação do ser crítico.
Contudo, deve-se ter em mente, ao propor um tema ao aluno; de que ele pode tanto
saber o conteúdo a que se trata, ou não estar a par do assunto; tornando
necessário introduzi-lo ao tema, a fim de obter uma melhor compreensão.
A realização da palestra e prática experimental antes da visita técnica se
tornou muito útil ao despertar o senso crítico no aluno, aguçando a curiosidade,
permitindo uma maior interação entre os alunos e o tema.
AGRADECIMENTOS: A CAPES, pelo apoio financeiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: MAIA, Alecssandra de Souza; OLIVEIRA, Wanda & OSÓRIO, Viktoria Klara Lakatos. Da Água Turva à Água Clara: O Papel do Coagulante. In: Química Nova na Escola. Nº 18. Novembro, 2003. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc18/A11.PDF> Acesso em 09 de julho de 2013.
SANCHES, Sérgio M.; SILVA, Carlos Henrique Tomich de Paula & VIEIRA, Eny Maria. Agentes Desinfetantes Alternativos para o Tratamento de Água. In: Química Nova na Escola. Nº 17. Maio, 2003. Disponível em: < http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc17/a03.pdf>. Acesso em 09 de julho de 2013.
SILVA, Petronildo Bezerra; BEZERRA, Vilma Sobral; GREGO, Ailton & SOUZA, Lúcia Helena Aguiar. A Pedagogia de Projetos no Ensino de Química – O Caminho das Águas na Região Metropolitana do Recife: dos Mananciais ao Reaproveitamento dos Esgotos. In: Química Nova na Escola. Nº 29. Agosto, 2008. Disponível em: < http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc29/04-RSA-0307.pdf>. Acesso em 11 de julho de 2013.