ÁREA: Ensino de Química
TÍTULO: USO DE MAPAS CONCEITUAIS: PERCEPÇÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO A RESPEITO DO TEMA RADIOATIVIDADE
AUTORES: Aquino, K.A.S. (COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PE) ; de Chiaro, S. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO)
RESUMO: Este trabalho destina-se a investigar as contribuições dos mapas conceituais na
análise da construção do conhecimento relacionado ao tema Radioatividade no ensino
de Química. Além disso, pretendemos mostrar a construção dos mapas conceituais
para a visualização da organização conceitual que estudantes do ensino médio
atribuíram ao referido tema sob a luz do paradigma teórico-metodológico da
Aprendizagem Significativa de David Ausubel. Tal teoria permite ao aprendiz a
apropriação do conhecimento, por elaboração pessoal, obtida a partir de conceitos
pré-existentes em sua estrutura cognitiva, que vão se modelando e se aprimorando
por diferenciação progressiva e/ou reconciliação integrativa.
PALAVRAS CHAVES: mapa conceitual; radioatividade; ensino de química
INTRODUÇÃO: Os mapas conceituais são uma forma de avaliar o tipo de estrutura que o aluno
tem para um determinado conjunto de conceitos (Moreira, 1992). Os mapas
conceituais podem ser um rico instrumento de avaliação. Isso porque não existe
um mapa conceitual certo ou errado e sim uma representação que o indivíduo dá
para um conjunto de conceitos. Com os mapas conceituais busca-se avaliar uma
evolução, um enriquecimento na relação entre conceitos que o estudante constrói
no processo ensino-aprendizagem. Contudo, deve-se atentar para o fato de um mapa
conceitual não ser auto-explicativo e possíveis explicações, na forma escrita ou
oral, das relações entre os conceitos nele representadas podem ser um
complemento da avaliação. Segundo Ausubel (1982), o indivíduo constrói
significado a partir de um acerto conceitual entre o novo conceito apresentado e
o conhecimento prévio existente na sua estrutura cognitiva. Mas tal relação não
será possível se não houver a predisposição do indivíduo para realizar tal
construção. Para Ausubel (1982) a teoria da Aprendizagem Significativa tem como
base o princípio de que o armazenamento de informações ocorre hierarquicamente
dos mais gerais para os mais específicos a partir da organização dos conceitos e
suas relações. Baseado nessa teoria, Novak (2002) desenvolveu a metodologia de
mapas conceituais, procurando representar como o conhecimento é armazenado na
estrutura cognitiva de um estudante. Neste trabalho, procurou-se utilizar os
mapas conceituais como instrumento tanto para identificação de conhecimentos
prévios sobre o tema radioatividade como para obter uma visualização da
organização conceitual que o estudante atribuiu ao referido tema no ensino de
Química.
MATERIAL E MÉTODOS: A construção de mapas conceituais foi realizada por estudantes de uma turma de
terceiro ano do ensino médio do Colégio do Colégio de Aplicação da Universidade
Federal de Pernambuco (CAp/UFPE). Tal turma era composta de 29 estudantes com 3
horas/aula de Química semanais. O tema escolhido foi Radioatividade, cujas
discussões aconteceram através de debates que foram seguidos de aulas
expositivas que tiveram como ênfase a contextualização do tema. As construções
dos mapas conceituais aconteceram em dois momentos: 1) antes das intervenções
para identificação dos conhecimentos prévios sobre o tema radioatividade; 2) ao
final da unidade temática para avaliar como os novos conhecimentos foram
associados com os conhecimentos prévios de cada estudante. Neste trabalho
mostraremos a análise dos mapas construídos por um estudante da turma.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: A Figura 1 mostra um mapa conceitual produzido por um estudante da turma antes
de se trabalhar o tema radioatividade em sala de aula. Observa-se que este
estudante relacionava ao tema radioatividade os conceitos de destruição, guerra
e bomba. Por outro lado, a Figura 2 mostra o mapa conceitual produzido pelo
mesmo estudante após o debate e as aulas expositivas. De forma geral é possível
observar um grande avanço na interligação de mais conceitos a palavra central
RADIOATIVIDADE. Para Ausubel (1968) o indivíduo pode adquirir os novos conceitos
de duas formas: a)Diferenciação progressiva e b)Reconciliação integrativa. Como
o estudante coloca Chernobyl e Hiroshima/Nagasaki no mesmo patamar, dentro de
acidentes nucleares, ele reorganizou sua estrutura cognitiva no sentido de um
delineamento de similaridade e diferenças entre idéias correlatas, mostrando com
maior clareza o lado destrutivo da radioatividade, como é característico da
reconciliação integrativa. Esse movimento de reconciliação também pode ser
percebido pela inclusão de novos conceitos organizados em novos e diferentes
‘frentes’. Contudo, a reconciliação integrativa e a diferenciação progressiva
são dois processos relacionados e toda aprendizagem que resultar em
reconciliação integrativa resultará também em diferenciação progressiva
adicional de conceitos e proposições. A reconciliação integrativa é
uma forma de diferenciação progressiva da estrutura cognitiva. É um processo
cujo resultado é o explícito delineamento de diferenças e similaridades entre
idéias relacionadas (Moreira, 1988). A diferenciação progressiva esta presente
na organização hierárquica que o estudante mostra ser capaz agora (no mapa 2) de
fazer em cada uma das novas interligações que traz ao conceito maior
‘Radioatividade’.
Figura 1
Figura 1. Mapa conceitual produzido um estudante
antes da intervenção sobre o tema radioatividade
Figura 2
Figura 2. Mapa conceitual produzido por um aluno do
ensino médio depois da intervenção sobre o tema
radioatividade.
CONCLUSÕES: Mapas conceituais foram utilizados na análise tanto dos conhecimentos prévios
sobre o tema radioatividade como na avaliação da aprendizagem do referido tema
para estudantes do ensino médio. Os mapas conceituais são recursos flexíveis e
dinâmicos cuja maior vantagem pode estar exatamente no fato de enfatizarem o
ensino e a aprendizagem de conceitos. Ao analisar os mapas construídos antes e
depois de uma com ênfase na contextualização foi possível constatar uma negociação
entre os conhecimentos prévios e os novos conhecimentos através da reconciliação
interativa e diferenciação progressiva.
AGRADECIMENTOS:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: Ausubel, D. P. Educational Psychology, A Cognitive View. New York: Holt, Rinehart and Winston, Inc, 1968.
Ausubel, D.P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.
MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e Aprendizagem Significativa. Revista Galáico Portuguesa de Sócio-Pedagogia e Sócio-Linguística. v. 23, n. 28, p. 87-95, 1988.
MOREIRA, M. A. Mapas Conceituais no Ensino de Física. Textos de apoio ao professor de Física .Porto Alegre: Instituto de Física UFRGS, n.3, 44p, 1992.
Novak, D. The Theory Underlying Concept Maps and How to Construct Them. 2002. Disponível no endereço eletrônico: http://cmap.coginst.uwf.edu/info. Acessado em 19 de junho de 2012.