ÁREA: Bioquímica e Biotecnologia
TÍTULO: Determinação do perfil peptídico de hidrolisados da caseína do leite caprino por espectrometria de massa MALDI-TOF
AUTORES: Bezerra, V.S. (UFPE) ; Porto, A.L.F. (UFRPE) ; Campos, J.F. (CETENE) ; Campos, J.F. (CETENE)
RESUMO: Este trabalho visa a determinação dos perfis peptídicos de hidrolisados
protéicos da caseína hidrolisada com papaína, tripsina e uma protease extraída
de Penicillium aurantiogriseum URM 4622, enfatizando sua utilização na produção
de peptídeos bioativos. Hidrolisados da caseína com graus de hidrólise de 28,3;
28,9 e 28,6% obtidos em tempo de reação de 5h e 40oC com o uso da papaína e
tripsina e 3h e 40oC com a protease extraída de P. aurantiogriseum, as quais
foram avaliados os perfis peptídicos por espectrometria de massa MALDI-TOF
(Bruker Daltonics INC). Os peptídeos do permeado (<3000 Da) apresentaram
peptídeos já descritos na literatura por apresentar propriedades biológicas ou
funcionais, possibilitando o seu uso como suplementos nutricionais ou aditivos
alimentícios.
PALAVRAS CHAVES: perfil peptídico; MALDI-TOF; proteases
INTRODUÇÃO: As atividades biológicas e fisiológicas das proteínas do leite podem ser
atribuídas a vários peptídeos, principalmente aqueles de baixo peso molecular
que podem ser produzido in vitro por hidrólise enzimática.
A hidrólise enzimática de proteínas tem sido usada para produzir
ingredientes com melhores propriedades nutricionais e funcionais (Gomez-Ruiz et
al, 2008). Hidrolisados protéicos podem ser classificados em três grandes
grupos, dependendo do grau de hidrólise, que determina as suas aplicações: (a)
hidrolisados com um baixo grau de hidrólise com melhores propriedades
funcionais,
(B) hidrolisados com um grau variável de hidrólise, que são usado principalmente
como aromatizantes, e (c) hidrolisados extensos que são principalmente usados
como suplementos nutricionais e de dietas especiais médicos (Pedroche et al.,
2004).
A determinação do perfil peptídico de hidrolisados de proteínas do leite é
importante na predição de propriedades bioativas. Vários artigos foram
publicados (Birkemo et al., 2009; Gomez-Ruiz et al, 2008 e Zhang et al, 2009) os
quais demonstraram os perfis peptídicos de hidrolisados proteícos de caseína
obtidas de leite de várias espécies: bovina, ovina, bubalina e caprina.
Entretanto, nenhum relato foi observado com hidrolisados da caseína obtida de
leite de cabra da raça moxotó. Caprinos apresentam grande variabilidade genética
e por isso geram diferentes peptídeos durante a proteólise enzimática,
representando um atrativo na produção de bioativos.
Este trabalho visa a determinação do perfil peptídico de hidrolisados proteicos
da caseína hidrolisada com papaína, tripsina e proteases extraída de
Penicillium aurantiogriseum URM 4622, enfatizando sua utilização na produção de
peptídeos bioativos.
MATERIAL E MÉTODOS: O leite caprino da raça Moxotó foi obtido de um animal puro. O leite foi
proveniente do Município de Sertânia, Pernambuco, Brasil. As amostras de leite
foram congeladas imediatamente após a coleta. A extração da caseína foi
realizado segundo Egito et al. (2006), com modificações. O precipitado da
caseína foi solubilizado com 1 mol L‑1 de NaOH, até pH 7,0, e submetido à
diálise contra água deionizada a 4ºC por 96 horas e em seguida liofilizado. Após
a liofilização, foram preparadas soluções que continham 2% de caseína em solução
tampão fosfato 0,1 mol L‑1. Após a hidrólise, as amostras foram submetidas à
agitação por 30 segundos e levadas a banho‑maria (90ºC, por 15 minutos) para
inativação das enzimas. O grau de hidrólise (GH) da caseína usando as enzimas
proteolíticas foi de acordo com Centenaro et al., 2009, as quais foram
centrifugadas a 12.000 g, durante 10 minutos, o sobrenadante usado para a
determinação de proteínas solúveis. O GH foi expresso segundo a relação das
quantidades de proteínas solúveis determinadas pelo método de Lowry et al.
(1951), albumina de soro bovino (BSA) foi usado como padrão; as proteínas totais
presentes no substrato foram determinadas pelo método de Kjeldahl. Estas foram
submetidos a membrana de ultrafiltração com cut off de 3000Da para obtenção das
frações permeado(<3000Da) e retentado (>3000Da).
Hidrolisados da caseína com graus de hidrólise de 28,3; 28,9 e 28,6% obtidos em
tempo de reação de 5h e 40oC com o uso da papaína e tripsina e 3h e 40oC com a
protease extraída de P. aurantiogriseum foram utilizadas para avaliação do
perfil peptídico usando espectrômetro de massa MALDI-TOF (Bruker Daltonics INC).
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os perfis peptídicos (tabela 1)dos hidrolisados protéicos da caseína caprina da
raça moxotó usando proteases de origem animal, vegetal e microbiana foram
comparado a literatura, a fim de predizer as propriedades biológicas. Os
peptídeos permeado (<3000 Da) da caseína hidrolisados com a papaína no
detectaram-se 34 peptídeos, dos quais 12 foram descritos por apresentar
propriedades biológicas ou funcionais, destacando-se a propriedade antioxidante
(Zhang et al, 2009 e Sabeena Farvin et al (2010). Os peptídeos permeado (<3000
Da) da caseína hidrolisados com tripsina detectaram-se 50 peptídeos, dos quais
17 configuram na literatura por apresentar propriedades antioxidantes ,
antimicrobianas, imunomoduladoras e carreadoras de minerais (Srinivas &
Prakash, 2010, Gomez-Ruiz et al, 2008 e Sabeena Farvin et al., 2010). A fração
peptídica com Massa molecular de 2164Da, refere-se a f(4-22) da αS1 caseína
(Hill, Lahav, Givol, 1974), o qual também foi identificado neste trabalho,
quando hidrolisou-se a caseína caprina com a protease microbiana. Os peptídeos
permeado (<3000 Da) da caseína hidrolisados com a protease vegetal papaína
detectaram-se 53 peptídeos, dos quais 17 já descritos por apresentar
propriedades biológicas (Birkemo et al., 2009). O peptídeo de massa molecular
2107Da presumidamente refere-se a seqüência de aminoácidos da β-caseína f(191-
207). Esse peptídeo apresenta alto teor de tirosina e triptófano, constituindo-
se uma característica importante de peptídeos com antioxidante.
CONCLUSÕES: Os perfis peptídicos da caseína caprina aqui investigados, demonstraram a presença
de peptídeos presumidamente detentores de propriedades antioxidantes,
imunomoduladores, antimicrobianos e carreadoras de minerais, possibilitando o uso
dos hidrolisados enzimáticos como alimentos funcionais ou aditivos na indústria de
alimentos.
AGRADECIMENTOS: A CAPES, CNPq, FACEPE, Faculdade São Miguel-Recife pelo apoio financeiro e ao
CETENE pela realização da análise de MALDI TOF.
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